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A sala de todas as respostas

Quantas vezes descubro-me parado diante da porta da sala de todas as respostas, cheio do desejo de espiar por sua fechadura, ou mesmo tentando abri-la! Mas é inútil, pois o grande Sábio trancou-a. Minhas orações e meditações frequentemente revelam uma tentação que ainda habita em mim: tentar transformar o grande Sábio em nada mais do que um chaveiro que me ajude a transpor a fechadura impenetrável. Ele, contudo, é Aquele que fecha e ninguém abre. "Jesus respondeu: — Não cabe a vocês conhecer tempos ou épocas que o Pai fixou pela sua própria autoridade" (At 1:7). Nosso Amigo divino nos deu livre acesso ao Seu trono, mas não deveria nos surpreender ou magoar o fato de Ele continuar reservando para Si com exclusividade as respostas misteriosas do Seu governo sobre todas as coisas.


Embora nossa busca por respostas seja um habitual ponto de partida para a jornada rumo ao grande Sábio, a mesma busca pode se constituir em uma obsessão que escraviza e impede de avançar ao ponto de chegada, mesmo se as perguntas a serem respondidas tenham certo grau de legitimidade. Ele tem todas as respostas, porém chaveou-as para Si. Por quê?


Impossível dizer com precisão. Entretanto, é nítido que ao fazer isso, o Senhor produz algo muito enriquecedor. Pois a aventura da jornada não tem seu ápice em alcançamos a resposta; reside antes em descobrirmos algo muito mais maravilhoso e importante do que as respostas em princípio perseguidas. Encontrar-se com Ele nem sempre satisfaz nossas expectativas, mas sempre as supera. Sempre foi assim fantástico. Saul buscava as jumentas que lhe pertenciam, e de modo inesperado o óleo da majestade o achou. Moisés buscava um pouco de pasto para o rebanho, e encontrou-se com a sarça em chamas eternas. A mulher de Samaria foi ao poço atrás de um balde de água, e voltou daí transformada ela mesmo em uma fonte que jorra para a eternidade. Buscávamos uma melhor trajetória para nossos passos, e nos deparamos de repente com o tesouro escondido no campo, que modificou para sempre nossos rumos.


Semelhantemente, a Malí buscava recuperar seu ursinho, e acabou entrando em contato ao longo do caminho com o Cordeiro morto em nosso favor e com o rugido estremecedor do Leão. Saboreou o banquete de um só Pão, e viu crescer a capacidade de se importar com os outros. Brincou com o Príncipe simples e amoroso em Seus bosques, e sentiu as cócegas no coração na sala do Trono. Como Ele mesmo descreve a cena: "Fui buscado pelos que não perguntavam por mim; fui achado por aqueles que não me buscavam. A um povo que não se chamava pelo meu nome, eu disse: ‘Eis-me aqui! Eis-me aqui!’ (Is 65:1).


Portanto, ainda que a curiosidade ou o sofrimento nos levem a insistir em entrar na sala de todas as respostas, devemos ter cuidado, pois isso pode ser sintoma de falta de entendimento da riqueza envolvida na revelação pessoal do Cordeiro e do Leão para nós. Face a face com Ele, nossas respostas não são finalmente alcançadas. Melhor do que isso: a glória de estar com Ele tira da mais desejada resposta toda a importância de antes. Quando meus olhos se encontram com os Dele, as perguntas deixam de ser perseguidas. Na verdade, a alegria faz com que cada uma delas seja superada.


"Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar. Naquele dia, nada me perguntareis" (Jo 16:22-23a)

"Agora que estava ali, na sala do trono, ela não queria perguntar mais nada para o humilde Príncipe da glória [...] Tudo o que a Malí queria era agradecê-lo por tudo, por tudo, até mesmo por tudo o que ela tinha perdido." (As Aventuras de Malí e Tetéo, cap. 25)




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