O senhor Perninhas

O senhor Perninhas é um personagem muito camarada e frequentemente convidado a compartilhar das mais diversas brincadeiras entre a Bianca e o papai Téo. Seu tamanho diminuto faz com que até mesmo uma almofada se transforme em um desafio a ser superado. Suas pernas são longas comparadas ao restante do corpo, e possuem bastante impulsão. Só costuma fazer uso de um dos braços, e seus pés constituem uma só formação com as pernas. Quanto ao aspecto do rosto, sou incapaz de descrevê-lo, uma vez que seus traços pertencem somente à imaginação da Bianca.


O senhor Perninhas, desde que surgiu, conquistou o afeto da menina, não só pelo jeito gentil e a maneira desajeitada como acaba por fazer cócegas ao tentar caminhar sobre ela, mas também pelas dificuldades que enfrenta por sua baixíssima estatura, o que desperta na Bianca muita empatia e solidariedade.


Em qualquer lugar, a qualquer hora do dia, o seu Perninhas aparece e imediatamente ele encontra resposta e interação por parte de nossa filha. De repente, tudo que era ordinário ganha um aspecto mágico e colossal: o sofá vira um cânion, a colher um trampolim -- ou até mesmo um avião de carga, pilotado com destreza por entre os desfiladeiros das panelas, até pousar e ser descarregado no hangar da boca de nossa pequena. Tudo que está ao alcance é resignificado, tornando-se grandioso e desafiador.


Mas engana-se quem pensa que o senhor Perninhas é um solitário de sua espécie. Logo que apareceu, ele acabou por descobrir, por intermédio da Bianca, que era o papai de ninguém menos do que a simpática senhorita Perninhas, com quem atualmente já coleciona uma série de aventuras -- sempre com o apoio da senhora Perninhas, sua querida e sensata esposa.


Devidamente apresentados, todos eles mandam cordiais saudações a vocês, estimados e caros amigos!


Talvez alguém pense que uma brincadeira assim, com um sem número de possibilidades, custe uma fortuna para ser adquirida e desfrutada, não é mesmo? Não, não custa, é de graça. Apesar de que, quando paro e reflito, vejo que custou um alto preço sim. Custou a encarnação do grande Jesus, Sua morte e ressureição; custou Ele investir o tempo dos 33 anos de Sua gloriosa vida aqui, entre nós, fazendo-se pequeno para interagir conosco de um jeito que melhor pudéssemos entender e sermos envolvidos. Ele, tão majestoso e inalcançável, diminuiu para aparecer aos nossos olhos. E quando olhamos para Ele, estávamos na realidade olhando e nos aproximando do Papai.


É com Jesus que venho aprendendo a brincar assim. A me curvar e valorizar o tempo com minha filhinha, momentos especialmente preciosos porque remetem ao que meu Papai fez por (e com) este filhinho Seu que sou. Sua dedicação e simplicidade comigo me demonstram como Ele me ama profundamente, enchendo-me de gratidão e de desejo por viver, juntamente com Ele e com nossa família, muitas aventuras juntos.


Obrigado, Papai, porque em Jesus você veio ao meu encontro, o "Deus perninhas" com quem eu não soube lidar e crucifiquei com grandes pregos, mas que ressuscitou e me envolve e cativa para Si, revelando não só a mão do Pai, mas Sua face e Seu coração.


"Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis e o tendes visto. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?" (João 14:7‭-‬9)


"Eu e o Pai somos um."

(João 10:30)


Autor: Tércio Bernardes

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